Canetas emagrecedoras mudam hábitos alimentares e exigem atenção ao intestino

 


Especialista alerta que redução da ingestão de alimentos e dietas hiperproteicas podem afetar o funcionamento intestinal e a microbiota

O avanço no uso das chamadas canetas emagrecedoras, como os medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, tem provocado mudanças no comportamento alimentar e já começa a impactar o mercado de alimentos. Com maior sensação de saciedade e menor consumo calórico, muitos usuários passaram a optar por refeições menores, mais leves e com maior teor de proteína, o que tem levado a indústria a rever estratégias e produtos.

Para o coloproctologista Danilo Munhoz, essa transformação vai além das tendências de consumo e traz efeitos diretos para o sistema digestivo. “Os medicamentos que aumentam a saciedade e reduzem o volume alimentar também modificam a motilidade do intestino. Isso pode alterar o padrão evacuatório e favorecer sintomas como constipação, gases e distensão abdominal”, explica.

Segundo o especialista, a forma como a dieta é ajustada durante o tratamento faz diferença nos efeitos sobre o organismo. “Muitas pessoas passam a priorizar proteínas e acabam reduzindo fibras sem perceber. Essa combinação de menor ingestão alimentar, pouca fibra e baixa hidratação contribui para o intestino mais lento e para o desconforto intestinal”, afirma.

O médico ressalta que a relação entre emagrecimento medicamentoso e saúde intestinal ainda recebe pouca atenção. “Estamos observando uma nova demanda clínica. Não basta apenas perder peso. É fundamental preservar o equilíbrio da microbiota e o bom funcionamento do trato digestivo durante todo o processo”, destaca.

Para ele, o acompanhamento profissional é essencial para evitar complicações. “O tratamento precisa ser orientado de forma individualizada, com ajustes na alimentação, ingestão adequada de fibras e líquidos. O objetivo deve ser um emagrecimento saudável, sem prejuízos ao intestino”, orienta.

Danilo Munhoz também chama atenção para o impacto mais amplo desse fenômeno. “A farmacologia já está influenciando o comportamento alimentar da população e até o posicionamento da indústria. Mas, do ponto de vista médico, o foco precisa continuar sendo a saúde integral do paciente, e isso inclui, obrigatoriamente, a saúde intestinal”, conclui.


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