Amigo de Flávio Bolsonaro recebia decisões sigilosas do STJ, aponta investigação

 Segundo reportagens do UOL e da Folha, investigação aponta possível acesso antecipado a decisões do STJ e manifestações do MPF

O advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e investigado no escândalo de fraudes contra o INSS, passou a ser alvo de novas suspeitas levantadas pela Polícia Federal.

Segundo reportagem do UOL, investigadores identificaram indícios de que o advogado teria recebido minutas de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e manifestações do Ministério Público Federal (MPF) antes da divulgação oficial dos documentos. A apuração também aponta que o escritório de Tomaz teria ajustado suas estratégias jurídicas com base nas informações recebidas antecipadamente.

Entre os possíveis intermediários dos documentos está o procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares, citado pela investigação como um dos interlocutores do advogado. Em 2019, Soares chegou a ser apontado por integrantes do entorno do então presidente Jair Bolsonaro como um dos nomes considerados para comandar a Procuradoria-Geral da República. Na época, também surgiram relatos sobre uma suposta proximidade com Flávio Bolsonaro, ligação que o procurador negava.

De acordo com a reportagem, a PF suspeita que documentos do STJ possam ter chegado a Tomaz por meio de Soares e de outros contatos. As suspeitas ainda são objeto de investigação.

O nome de Willer Tomaz também apareceu em outra apuração envolvendo o candidato do PL.

Uma reportagem da Folha de S.Paulo, publicada na quinta-feira (15/10), revelou que uma empresa ligada ao advogado teria custeado voos em jato executivo de Flávio Bolsonaro entre Portugal e França, em 2025. Segundo a investigação da PF, ao menos três trechos foram contratados por meio da Cathedral, empresa registrada na Ilha da Madeira e controladora da Rede Loto, plataforma de apostas que tem Tomaz e Jorge Barbosa Dias como sócios. O advogado é investigado por suspeitas de movimentações financeiras relacionadas a recursos provenientes de fraudes previdenciárias. Questionado sobre as viagens, Flávio afirmou que mantém com Tomaz uma relação exclusivamente de amizade.

Em nota, Willer Tomaz negou categoricamente ter obtido documentos judiciais ou pareceres do MPF de maneira irregular e afirmou que sempre atuou dentro dos limites legais da advocacia. O advogado também questionou a divulgação de informações sigilosas durante o período eleitoral, declarou que sua defesa ainda não teve acesso ao relatório mencionado e anunciou medidas para contestar as suspeitas e identificar a origem do vazamento. Segundo a reportagem, a campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada para comentar as novas informações, mas não havia se manifestado até a publicação. O procurador aposentado Antônio Carlos Simões Soares também não havia sido localizado.

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