Veias saltadas nas pernas de Jude Bellingham: quando elas são apenas resultado do treino e quando podem indicar um problema vascular?

O visual do jogador viralizou nas redes e levantou dúvidas sobre varizes; cirurgião vascular explica por que atletas podem ter veias mais aparentes e quais sinais realmente merecem investigação médica.

Recentemente, uma imagem das pernas do meia britânico Jude Bellingham durante um treino voltou a movimentar as redes sociais. A hiperdefinição muscular acompanhada de veias extremamente saltadas nos membros inferiores chamou a atenção dos torcedores e levantou uma dúvida comum: afinal, aquilo é apenas fruto do alto rendimento ou pode ser um indício de varizes e problemas de circulação?

O fenômeno, conhecido no meio esportivo como vascularização proeminente, é bastante frequente em praticantes de atividades físicas de alta intensidade. A combinação de baixo percentual de gordura corporal, aumento do fluxo sanguíneo para os músculos e dilatação fisiológica dos vasos faz com que as veias fiquem muito visíveis sob a pele. Na grande maioria das vezes, o cenário representa apenas uma resposta do organismo ao esforço físico extremo.

"Em atletas de elite, a proeminência venosa costuma ser uma adaptação saudável ao exercício. Quando o músculo se contrai com frequência e intensidade, ele exige mais oxigênio, o que aumenta o volume de sangue em circulação e dilata os vasos temporariamente. Se não houver dor, inchaço ou sensação de peso, esse aspecto saliente é apenas reflexo de um baixo percentual de gordura e alto condicionamento", explica o Dr. Henrique Abreu, cirurgião vascular de Belo Horizonte.

No entanto, a linha entre uma veia dilatada pelo treino e uma veia doentia exige atenção. As varizes se caracterizam pela perda da capacidade das válvulas venosas de empurrar o sangue de volta ao coração, gerando acúmulo e deformação permanente do vaso. Enquanto a vascularização do atleta tende a ser simétrica, firme e funcional, os vasos doentes costumam apresentar um trajeto tortuoso, relevo irregular e cor arroxeada ou azulada bem marcada.

Alguns sintomas específicos ajudam a diferenciar o desempenho físico de uma condição médica que exige intervenção. Queimação na batata da perna ao final do dia, inchaço nos tornozelos, cãibras noturnas e alterações na cor da pele são sinais claros de que a circulação precisa ser avaliada em consultório. Nesses casos, mesmo pessoas jovens ou com boa rotina de treinos podem desenvolver o problema devido à predisposição genética.

"O exercício físico é um excelente aliado da saúde venosa, pois a panturrilha funciona como um segundo coração ao bombear o sangue para cima. Porém, a atividade não anula totalmente o fator hereditário. O alerta deve acender quando a veia aparente vem acompanhada de desconforto, sensação de peso ou assimetria evidente entre as pernas. Na dúvida, uma ultrassonografia Doppler identifica com precisão a saúde do fluxo sanguíneo", conclui o médico.

Dr. Henrique Abreu
Médico (CRM-MG 73175), Cirurgião Vascular (RQE 54064)
https://instagram.com/dr.henrique.abreu
https://henriqueabreu.med.br/

Crédito: Envato

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