Esquema clandestino utiliza nomes e embalagens de marcas estrangeiras, como ZPHC, USA Peptides, Biogenesis e XL Peptides, para vender substâncias sem registro sanitário, sem garantia de procedência e com graves riscos à saúde
O avanço da falsificação de peptídeos e de outras substâncias injetáveis no Paraguai aumentou a preocupação com a procedência dos produtos oferecidos aos consumidores e passou a exigir maior atenção das autoridades sanitárias do país. Entre os principais alvos dessa prática estão itens comercializados com os nomes ZPHC, USA Peptides, Biogenesis e XL Peptides.
A venda desses produtos falsificados representa uma ameaça direta à saúde dos consumidores e também prejudica a reputação das marcas cujos nomes, embalagens e elementos visuais são utilizados indevidamente. A circulação das falsificações não significa, necessariamente, que as empresas originais tenham qualquer participação na fabricação ou na comercialização irregular. Em muitos casos, fabricantes e distribuidores clandestinos se apropriam das identidades das marcas sem autorização.
No caso da XL Peptides, a falsificação alcançou um nível ainda mais evidente. Entre os produtos encontrados com o nome da empresa, há substâncias que sequer são comercializadas pela marca original, o que reforça os indícios de fabricação e distribuição clandestinas.
A Direção Nacional de Vigilância Sanitária do Paraguai, a Dinavisa, já emitiu alerta sobre a comercialização não autorizada de produtos apresentados como peptídeos e análogos de hormônios. De acordo com a autoridade sanitária, esses itens não possuem registro sanitário vigente no país e os laboratórios apontados nas embalagens como fabricantes não estão habilitados pela instituição.
Um dos fatores que dificultam a identificação das falsificações é a capacidade de reprodução de caixas, frascos, rótulos, lacres e até códigos de verificação. A semelhança visual com um produto original, entretanto, não comprova sua procedência nem assegura que o conteúdo corresponda ao princípio ativo e à concentração indicados na embalagem.
Sem fiscalização sobre a origem da matéria-prima, o processo de fabricação, as condições de armazenamento e o transporte, esses frascos podem apresentar doses inferiores ou superiores às declaradas. Também podem conter substâncias diferentes das anunciadas, impurezas, microrganismos ou componentes potencialmente tóxicos.
Os riscos são ainda maiores quando se trata de produtos injetáveis, uma vez que possíveis contaminantes são introduzidos diretamente no organismo. O uso de substâncias falsificadas pode provocar infecções, intoxicações, reações alérgicas, danos a órgãos e agravamento do estado de saúde.
Além dos efeitos adversos, a falsificação pode comprometer os resultados esperados. Ao acreditar que o tratamento não está funcionando, o consumidor pode decidir aumentar a dose ou associar outras substâncias, ampliando ainda mais os riscos à saúde.
A orientação é não comprar medicamentos, hormônios ou peptídeos dessas marcas em estabelecimentos sem autorização sanitária ou por meio de vendedores informais. Preços muito inferiores aos praticados no mercado, ausência de informações completas sobre o fabricante e erros nas embalagens devem ser tratados como sinais de alerta.
Antes de utilizar qualquer substância, o consumidor deve confirmar sua procedência, consultar sua regularidade perante a autoridade sanitária e buscar orientação médica. Caso exista suspeita de falsificação, o produto não deve ser aplicado nem consumido, e a ocorrência deve ser comunicada à Dinavisa.
Informações obtidas apontam também que parte desses produtos falsificados tem entrado no Brasil pelas regiões Sudeste e Sul, ampliando a necessidade de vigilância por parte das autoridades sanitárias, dos órgãos responsáveis pela fiscalização das fronteiras e dos canais de distribuição.
A busca por emagrecimento, melhora do desempenho físico, recuperação de lesões ou qualquer outro benefício não pode se sobrepor à segurança. Além de não oferecerem garantia de resultado, os produtos falsificados podem transformar uma tentativa de cuidar da saúde em um problema grave e imprevisível.


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