Central que monitora hospitais e UPAs 24 horas por dia completa um ano

 Estrutura do IgesDF acompanha a rede em tempo real e ajuda a identificar situações de risco e agilizar o acionamento das equipes de segurança

De uma única sala, profissionais acompanham, em tempo real, o movimento de hospitais e UPAs espalhados pelo Distrito Federal. Quando algo foge da rotina, as imagens ajudam a identificar o que está acontecendo e a orientar a equipe que precisa agir no local. Essa operação, que funciona dia e noite, completou um ano em 10 de setembro.

A estrutura é o Núcleo de Monitoramento Remoto (NUMOR) do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF). A central funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, e acompanha o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), o Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), o Hospital do Sol Nascente, as 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e a UCAD SIA.

Enquanto pacientes, acompanhantes, visitantes e profissionais circulam pelas unidades, os operadores observam nas telas entradas e saídas, áreas internas e externas e movimentações que fogem da rotina. Conflitos, aglomerações, acessos indevidos, furtos, quedas e outras situações de risco estão entre as ocorrências que podem ser identificadas durante o acompanhamento.

Para o chefe do NUMOR, Daniel Rabelo Santos, o trabalho vai além de observar o que acontece diante das câmeras.

“O monitoramento nos permite identificar situações que exigem atenção e apoiar rapidamente as equipes que estão nas unidades.”

Monitoramento que não para

Quando alguma movimentação chama a atenção, o operador primeiro verifica as imagens para entender o que está acontecendo. Confirmada a necessidade de intervenção, a informação é repassada à segurança ou à equipe da própria unidade.

A central consegue indicar o local da ocorrência, o que foi identificado e, quando as imagens permitem, até a direção em que uma pessoa está se deslocando. O acompanhamento não termina com o acionamento.

“Mesmo depois de acionarmos a equipe, continuamos acompanhando a ocorrência pelas câmeras e atualizando as informações para quem está no local”, conta Sidney de Jesus Valentim, assistente executivo que atua na central.

Foi esse acompanhamento contínuo que ajudou em uma das situações registradas durante o primeiro ano. Os operadores perceberam uma movimentação fora do habitual em uma área de uma das unidades. Pelas câmeras, acompanharam o que estava acontecendo, identificaram o local exato e comunicaram imediatamente a equipe responsável pela segurança.

A resposta rápida permitiu que os profissionais chegassem ao local e verificassem a situação antes que ela evoluísse para algo mais grave. Para preservar as pessoas envolvidas e a segurança da operação, outros detalhes da ocorrência não são divulgados.

É justamente a atenção ao que foge da rotina que faz parte do dia a dia de quem trabalha diante das telas.

“Uma alteração pode parecer pequena, mas, quando identificada rapidamente, pode fazer diferença na resposta da equipe”, afirma Mateus dos Santos Martins, assistente executivo do núcleo.

A central não substitui os profissionais que estão nas unidades. Ela amplia o campo de visão das equipes e ajuda a fazer com que a informação chegue mais rapidamente a quem precisa agir. O sistema integra o trabalho de segurança das unidades administradas pelo IgesDF e funciona de forma ininterrupta.

A tecnologia também auxilia nesse trabalho. O sistema dispõe de recursos de inteligência artificial capazes de identificar determinadas situações e emitir alertas. Mas a decisão não fica a cargo da máquina. Antes de qualquer encaminhamento, o que aparece nas telas é analisado por um profissional.

A estrutura acompanha ainda recursos utilizados para controlar a entrada e a circulação de pessoas em áreas específicas das unidades, como catracas eletrônicas e identificação facial.

Integração com a segurança pública

Nesse primeiro ano, o trabalho também passou a contar com integração com a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP/DF). A conexão facilita a comunicação com as forças de segurança quando uma ocorrência exige esse tipo de atuação.

Na prática, as informações identificadas pela central podem contribuir para uma resposta mais ágil em situações de maior gravidade e para a atuação conjunta entre as equipes das unidades e os órgãos de segurança pública.

O acesso às imagens é restrito a profissionais autorizados e segue regras de segurança, confidencialidade e proteção de dados. Quando uma gravação é solicitada pela polícia, pelo Ministério Público ou pela Justiça, o fornecimento obedece aos procedimentos formais previstos para cada situação.

Um ano depois do início da operação, a central reúne tecnologia e atenção humana em uma rotina que não pode parar. Para Daniel Rabelo Santos, o desafio agora é continuar aperfeiçoando o trabalho.

“Monitorar uma rede desse tamanho exige atenção constante e responsabilidade. Esse primeiro ano representa o amadurecimento da nossa atuação e aumenta o compromisso de continuar aprimorando a segurança das unidades”, conclui.

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