Rede brasileira troca o piso de borracha pela areia e muda a mecânica do treino de musculação: menos impacto nas articulações, mais gasto energético e mais recrutamento muscular. O deslocamento de foco abriu a academia para um público historicamente afastado dela — e levou a marca a 35 unidades vendidas e a uma projeção de mais de R$ 13 milhões de faturamento de rede em 2027.
A indústria do fitness passou as últimas duas décadas inovando na máquina. Mais ajustes, mais eletrônica, mais telas. O piso, esse, continuou o mesmo: borracha, vinílico, cimento. Superfícies rígidas, que devolvem ao corpo boa parte da força que ele aplica no chão.
A 4Beach Gym, rede brasileira criada em 2023, inverteu a pergunta. Em vez de reinventar o equipamento, mudou a superfície — e adaptou máquinas de musculação convencionais para funcionar sobre areia. É uma mudança pequena de descrição e grande de efeito: o piso é a variável que determina como a força chega às articulações, quanta energia o corpo gasta e quantos músculos precisam trabalhar para manter o corpo estável.
O que muda quando o piso muda
A literatura sobre treinamento em areia é anterior à academia e vem do esporte de alto rendimento, onde a superfície é usada há décadas. Os achados consistentes:
- Menor impacto. A areia absorve parte das forças geradas no contato com o solo, o que reduz o dano muscular e a dor tardia em relação à intensidade do esforço. É por essa razão que a superfície vem sendo usada na recuperação de atletas lesionados.
- Maior gasto energético. Estudos indicam que a mesma atividade pode custar de 1,3 a 2,7 vezes mais energia na areia do que em piso firme — o corpo perde parte do retorno elástico e precisa produzir mais força a cada movimento.
- Mais recrutamento muscular. A instabilidade da superfície exige trabalho contínuo da musculatura estabilizadora, especialmente de tornozelo, quadril e core, que em piso rígido participam pouco.
Traduzido para a experiência de quem treina: mesmo esforço percebido, menos carga sobre o joelho, o quadril e a coluna. Um treino que cansa mais e machuca menos.
Adaptar a máquina, não reinventar
Levar musculação para a areia exigiu resolver problemas de engenharia que não existem em academia de piso duro. As máquinas da rede foram desenvolvidas em parceria com um fabricante nacional e recebem alterações específicas: base de apoio com desenho próprio para distribuir o peso sobre a areia, cabo de aço de maior espessura com revestimento reforçado, sistema de limpeza automática no leg press que remove areia durante o movimento, pintura eletrostática com proteção anticorrosiva ampliada e detalhes em aço inox nos pontos de maior exposição.
Nenhuma dessas adaptações reinventa o exercício. Elas existem para que o exercício de sempre possa acontecer sobre uma superfície nova — que é onde está a mudança de fato.
Quem ganha com isso
O deslocamento amplia o público da musculação para além do perfil que já frequenta academia. Ganha quem tem desgaste articular e recebeu recomendação de reduzir o impacto. Ganha quem está acima do peso e sente dor ao treinar em piso rígido. Ganha quem está voltando de lesão e precisa de estímulo sem sobrecarga. E ganha a faixa acima dos 40 anos, o segmento que mais cresce no mercado fitness brasileiro e o que mais abandona o treino por desconforto físico.
Há ainda um componente que não se mede em força ou impacto: o contato do pé descalço com a areia, a temperatura, o som do passo. A rede trata isso como parte do método, não como cenário — a percepção de que se está em outro lugar é o que faz o aluno voltar no dia seguinte. Em um mercado onde a evasão nos primeiros três meses é o principal problema operacional das academias, a experiência deixa de ser detalhe estético e vira variável de retenção.
"Todo mundo estava tentando melhorar a máquina. Ninguém olhou para o chão. E o chão é o que decide como a força chega ao seu joelho. A gente não inventou um exercício novo — a gente mudou o lugar onde o exercício acontece, e isso muda o corpo de quem treina e muda quem consegue treinar", afirma Rogério Sthanke, fundador e CEO da 4Beach Gym e criador do método.
A aposta deu certo
A tese de que o piso era a variável esquecida saiu do campo da hipótese. Em três anos, a rede passou de uma unidade no Brooklin para 8 academias em operação em cinco estados, 35 unidades comercializadas e outras 8 inaugurações previstas até dezembro.
Para 2027, a projeção é chegar a 30 academias abertas, o que representa um faturamento de rede superior a R$ 13 milhões — número que mede menos o desempenho da empresa e mais a resposta do público a um formato que não existia. Em um mercado em que a evasão nos primeiros meses é o problema central das academias, uma proposta construída sobre conforto articular e experiência de treino encontrou demanda mais rápida do que o próprio fundador previa.
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Sobre a 4Beach Gym
Fundada em 2023 por Rogério Sthanke, a 4Beach Gym é a primeira rede de franquias de academias de musculação pé na areia do mundo. Reúne musculação com equipamentos adaptados para uso em areia, treinamento funcional e aulas coletivas em metodologia proprietária. Conta hoje com 8 unidades em operação em cinco estados, 8 inaugurações previstas até dezembro de 2026 e 35 unidades comercializadas em todo o Brasil.
Sobre Rogério Sthanke
Criado em Guaianases, na periferia de São Paulo, construiu sua trajetória pelo esporte e pela corrida antes de se tornar personal trainer de nomes conhecidos do mercado. É criador do método que dá base às aulas da rede e atua na formação de professores, gestores e empresários do setor fitness.


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