Embaixada de Ruanda celebra o Kwibohora 32 em Brasília

A Embaixada de Ruanda no Brasil celebrou, em Brasília, o Kwibohora 32, data que marca os 32 anos da libertação do país e do fim do Genocídio contra os Tutsis, em 1994. A cerimônia reuniu autoridades brasileiras, integrantes do corpo diplomático, representantes da academia, do setor privado e da sociedade civil.



Entre as autoridades presentes, o representante do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), Antônio Augusto Martins César, participou da cerimônia e discursou em nome da diplomacia brasileira. Em sua manifestação, destacou a relevância do fortalecimento das relações entre Brasil e Ruanda, reafirmando o compromisso do governo brasileiro com a ampliação da cooperação bilateral. Sua atuação tem sido reconhecida como importante na construção e no aprofundamento dos laços diplomáticos entre os dois países, especialmente nas iniciativas voltadas ao diálogo político, à educação, à saúde e ao intercâmbio institucional.

Em seu discurso, o embaixador de Ruanda no Brasil, Lawrence Manzi, afirmou que o Kwibohora representa o início da reconstrução nacional após um dos episódios mais trágicos da história do país. Segundo ele, desde o fim do genocídio, Ruanda percorreu um caminho baseado na reconciliação, na unidade nacional e no fortalecimento das instituições públicas.

O diplomata ressaltou que a libertação permitiu ao país recuperar sua dignidade, restaurar a esperança da população e retomar o controle sobre seu próprio destino. Também homenageou os integrantes da Frente Patriótica Ruandesa (RPF), força que interrompeu o genocídio, destacando o papel desempenhado por aqueles que deram suas vidas para possibilitar a reconstrução nacional.

De acordo com Manzi, a transformação vivida por Ruanda nas últimas três décadas foi sustentada por três princípios: a preservação da unidade entre os ruandeses, a construção de instituições responsáveis e eficientes e a adoção de uma visão estratégica voltada para metas ambiciosas de desenvolvimento.

O embaixador afirmou que essas escolhas contribuíram para que Ruanda se tornasse reconhecida internacionalmente pela estabilidade política, pela eficiência da administração pública e pelo crescimento econômico. Ao mesmo tempo, observou que os desafios relacionados à segurança permanecem presentes na região.

Ao citar um pronunciamento recente do presidente Paul Kagame, Manzi destacou que as ideologias que alimentaram o genocídio ainda não desapareceram completamente e reforçou que paz, segurança e boa governança continuam sendo pilares indispensáveis para garantir desenvolvimento, prosperidade e oportunidades para a população.

No cenário internacional, o diplomata destacou ainda a participação de Ruanda nas operações de manutenção da paz das Nações Unidas, afirmando que o país figura entre os maiores contribuintes para essas missões, como parte de seu compromisso com a promoção da estabilidade e da segurança em diferentes regiões do mundo.

Grande parte do discurso foi dedicada ao fortalecimento das relações entre Ruanda e Brasil. Segundo Manzi, a cooperação bilateral avançou significativamente no último ano, com a assinatura de um Acordo de Consultas Políticas e memorandos de entendimento nas áreas de saúde e educação.

O embaixador também destacou a realização da primeira missão empresarial Brasil–África em Kigali, organizada pela ApexBrasil, e anunciou que uma missão empresarial ruandesa deverá visitar o Brasil em breve, liderada pelo Rwanda Development Board e pela Federação do Setor Privado de Ruanda.

Na área educacional, Manzi informou que 43 estudantes ruandeses iniciarão, ainda este ano, cursos de mestrado e doutorado em universidades brasileiras. Os estudantes serão recebidos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), iniciativa que, segundo o diplomata, amplia o intercâmbio de conhecimento entre os dois países.

Ao agradecer o apoio de parceiros brasileiros dos setores público, acadêmico, empresarial e da sociedade civil, o embaixador afirmou que a relação entre Brasil e Ruanda é guiada pelos princípios da cooperação Sul-Sul, baseada na troca de experiências, no respeito mútuo e na busca por soluções compartilhadas para o desenvolvimento.

Encerrando a cerimônia, Lawrence Manzi defendeu o aprofundamento da parceria bilateral e citou uma mensagem do presidente Paul Kagame durante as celebrações do Kwibohora: "O futuro que merecemos está ao nosso alcance, desde que permaneçamos unidos e rejeitemos o divisionismo em todas as suas formas". A programação foi concluída com apresentações de dança tradicional, música e gastronomia ruandesas, reforçando a riqueza cultural do país e a aproximação entre Ruanda e Brasil.

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