Cerimônia reuniu representantes de veículos de comunicação e destacou o papel do jornalismo na democracia, no combate à desinformação e na defesa das mulheres
Kátia Sartório, apresentadora da Voz do Brasil e professora da UnB, Neila Medeiros, jornalista, Rodrigo Orengo, diretor da Band em Brasília, Rodrigo Ferreira, diretor-executivo da Record Brasília, Doutora Jane (Republicanos), deputada distrital, Patrício Macedo, diretor da TV Brasília, Noelle Santos Oliveira, chefe do Núcleo de Jornalismo da CLDF, e Valter Lima, radialista - Foto: Andressa Anholete.A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na noite desta segunda-feira (1º), sessão solene em homenagem ao Dia da Imprensa. A iniciativa foi da deputada distrital Doutora Jane (Republicanos-DF) e reuniu jornalistas, radialistas, apresentadores, dirigentes de emissoras, profissionais de bastidores e servidores da comunicação pública.
A solenidade destacou a importância da imprensa livre e responsável para o fortalecimento da democracia, a fiscalização do poder público e o enfrentamento à desinformação. Durante o evento, profissionais da comunicação receberam moções de louvor pelo trabalho desenvolvido com ética, compromisso e responsabilidade na missão de informar a sociedade.
Ao abrir a sessão, Doutora Jane afirmou estar emocionada com a presença dos homenageados e ressaltou a relevância do jornalismo para a vida pública. A parlamentar lembrou a relação construída com profissionais da imprensa durante sua trajetória como delegada de polícia e defendeu a valorização da categoria.
Doutora Jane ao iníciar a sessão solene em homenagem ao Dia da Imprensa - Foto: Andressa Anholete.
“A imprensa livre, responsável e comprometida com a verdade é um dos pilares que sustentam o Estado Democrático. Mais do que noticiar fatos, vocês ajudam a proteger a verdade, a transparência e a própria democracia”, declarou a deputada.
Doutora Jane acrescentou que a homenagem também representava um agradecimento aos profissionais que atuam diariamente na produção da notícia. “Essa homenagem é uma forma de agradecer a cada profissional que escolheu informar com ética, responsabilidade e coragem. Recebam meu reconhecimento, minha admiração, meu respeito, meu carinho e meu abraço”, afirmou.
Além da autora da solenidade, compuseram a mesa de honra o diretor-executivo da Record, Rodrigo Ferreira; o diretor da TV Brasília, Patrício Macedo; o diretor da Band, Rodrigo Orengo; a chefe do Núcleo de Jornalismo da CLDF, Noele Santos Oliveira; a jornalista, radialista e professora Kátia Sartório; o radialista Walter Lima; e a jornalista e apresentadora Neila Medeiros.
Convidada pela deputada para integrar a mesa, Neila Medeiros falou sobre os desafios enfrentados diariamente pelos jornalistas diante da circulação acelerada de informações falsas e do avanço das novas tecnologias.
“Cada rosto aqui me lembra a trajetória que é o jornalismo. Quantos desafios a gente passa todos os dias para levar a informação séria e quanta resiliência a gente precisa ter, porque cada dia é mais difícil”, afirmou Neila.
Neila Medeiros é apresentadora no SBT - Foto: Andressa Anholete.
A jornalista também destacou a necessidade de união entre os profissionais da área. “A gente tem redes sociais o tempo inteiro, tem inteligência artificial, tem tanta inverdade correndo contra a gente que, cada vez mais, o nosso ofício precisa da gente lúcido, são e de mãos dadas. O trabalho que a gente exerce merece reconhecimento e carinho porque é árduo”, completou.
Representando o rádio, Walter Lima lembrou sua trajetória profissional e a contribuição da imprensa para contar a história cotidiana de Brasília, para além da Esplanada dos Ministérios e do Congresso Nacional. O radialista também ressaltou a importância de preservar a memória dos profissionais que ajudaram a consolidar o jornalismo no Distrito Federal.
Walter Lima é radialista que faz a Voz do Brasil - Foto: Andressa Anholete.
“É importante que não esqueçamos o passado, para que possamos honrar aquelas pessoas que, de alguma maneira, passaram por aqui. Muitos já se foram, mas suas lembranças são eternas”, afirmou.
Ao agradecer a homenagem, Walter Lima defendeu a liberdade de imprensa. “Tenham em mim a minha admiração, o meu apoio e, acima de tudo, o meu aplauso a todos vocês que, de alguma forma, fazem com que o país consiga conquistar e manter a nossa liberdade de imprensa”, declarou.
A jornalista, radialista e professora Kátia Sartório recordou sua atuação como assessora de imprensa da presidência da CLDF nas primeiras gestões da Casa e destacou a importância dos profissionais que trabalham longe das câmeras e dos microfones.
Professora Kátia Sartório que atua na UNB na formação de novos jornalistas - Foto: Andressa Anholete.
“Os trabalhadores silenciosos precisam ser citados: os produtores, os pauteiros, os editores, aqueles que estão nos bastidores, até o motorista que leva a gente correndo para fazer aquela pauta imperdível. Nós acabamos sendo as estrelas que aparecem, mas, sem todos eles, o nosso trabalho não é realizado”, disse.
Kátia também chamou atenção para o papel do jornalismo diante da desinformação. “Eu nem gosto de usar a expressão ‘fake news’, porque, se é falsa, não é notícia. É desinformação. A imprensa tem o papel de mostrar o que é verdade, o que não é, o que é ético e o que não é”, ressaltou.
Representando os profissionais de comunicação da Câmara Legislativa, Noele Santos Oliveira destacou o trabalho desenvolvido pela equipe da Casa em diferentes plataformas, como televisão, redes sociais, relacionamento com a imprensa, publicidade e comunicação organizacional.
Noele Santos Oliveira é a corredenadora da Agência CLDF - Foto: Andressa Anholete.
“É um grande orgulho compor esse time da comunicação da Câmara, um time de muito talento e muito dedicado, que todos os dias busca traduzir para o cidadão o que se passa nesta Casa e dar a ele a oportunidade de exercer a democracia, acompanhando o que os seus representantes fazem”, afirmou Noele.
Segundo ela, o cenário atual amplia a responsabilidade dos jornalistas na apuração dos fatos. “Com toda essa velocidade da comunicação e com o poder de comunicar hoje nas mãos de todos, a gente trabalha cada vez mais com a delicadeza da apuração, com a importância de uma notícia com credibilidade, correta e que faça diferença na vida do cidadão”, completou.
O diretor da Band, Rodrigo Orengo, ressaltou a relevância do jornalismo produzido no Distrito Federal e destacou que a cobertura realizada em Brasília alcança todo o país, sem deixar de retratar a realidade local.
Rodrigo Orengo é diretor da Band e jornalista na emissora - Foto: Andressa Anholete.
“Basta ligar a televisão ou colocar em uma rádio para perceber que mais da metade do noticiário é produzido aqui no Distrito Federal. É produzido por todos que estão aqui, por quem não está aqui e hoje está nas redações”, afirmou.
Orengo também abordou os desafios provocados pela inteligência artificial e pela desinformação, especialmente diante do processo eleitoral. “A gente vive um momento de grandes desafios. A chegada de novas tecnologias, como a inteligência artificial, vem para o bem, mas também traz riscos importantes. Nesse momento, o trabalho do jornalista se faz mais essencial e mais importante”, declarou.
Para o diretor da Band, o jornalismo local também ajuda a apresentar uma visão mais ampla da capital. “Brasília vai muito além da Praça dos Três Poderes. Tem muito a apresentar e muito a cobrar também. Então, um viva ao jornalismo e parabéns aos jornalistas”, concluiu.
O diretor da TV Brasília, Patrício Macedo, definiu a solenidade como uma noite simbólica para o jornalismo profissional e ressaltou o papel dos profissionais que atuam nos bastidores da informação.
Patrício Macedo é diretor da TV Brasília - Foto: Andressa Anholete.
“Eu sou um profissional de bastidor, um executivo da informação. É uma honra imensa dividir esta mesa com profissionais que representam tantas histórias importantes do jornalismo”, afirmou.
Patrício lembrou a trajetória da TV Brasília e classificou o jornalismo como uma profissão marcada pela resistência. “Muito nos emociona falar da força de uma profissão que é símbolo de resistência, de luta, de dificuldades, mas também de muito triunfo diante das tentativas contínuas de cerceamento à nossa liberdade de expressão”, disse.
Ao tratar dos desafios contemporâneos, o diretor mencionou a desinformação, as redes sociais, a inteligência artificial e o período eleitoral. “Todos os dias algo quis nos derrotar, mas fracassou e sempre fracassará, porque somos uma categoria acostumada a trocar de pele para se adaptar às mudanças e atuar por um mundo menos desigual, com democracia, inclusão e respeito”, declarou.
Encerrando os pronunciamentos da mesa, o diretor-executivo da Record, Rodrigo Ferreira, afirmou que receber a homenagem em nome de seu veículo de comunicação representava uma honra. Ele destacou que a imprensa não deve servir a interesses específicos, mas à sociedade.
Rodrigo Ferreira é diretor-executivo da Record Brasília - Foto: Andressa Anholete.
“A imprensa livre não existe para agradar alguns grupos; ela existe para servir à sociedade. A função da imprensa é apurar, verificar e contextualizar ao cidadão a informação confiável, para que ele possa tomar suas próprias decisões”, afirmou.
Rodrigo Ferreira também ressaltou a responsabilidade dos veículos de comunicação em Brasília, por ser a capital o centro de decisões que repercutem nacionalmente. “Em Brasília, coração político do país, a informação tem uma responsabilidade ainda maior, porque decisões que impactam o país inteiro partem daqui. Nós temos por obrigação honrar a verdade e fazer com que a população receba uma notícia de qualidade”, declarou.
Segundo ele, jornalismo e democracia são indissociáveis. “A história mostra que não existe democracia forte sem uma imprensa forte. Não há transparência sem fiscalização e não há cidadania plena sem acesso à informação de qualidade”, concluiu.
Durante seu pronunciamento final, Doutora Jane também pediu atenção especial da imprensa ao período eleitoral. A deputada defendeu que o debate político seja conduzido com responsabilidade e que os veículos de comunicação não contribuam para a propagação de desinformação ou para o enfraquecimento das instituições.
Doutora Jane parabenizou a imprensa local - Foto: Andressa Anholete.
A parlamentar ainda destacou a importância da imprensa na rede de proteção às mulheres e no enfrentamento à violência de gênero. Segundo Doutora Jane, o tema precisa permanecer em evidência durante todo o ano, com campanhas, reportagens e debates capazes de ajudar a transformar uma cultura marcada pelo machismo e pela misoginia.
“A imprensa também tem esse compromisso, esse papel e essa responsabilidade de fazer parte de uma rede diversa de proteção, com um poder enorme de ajudar a transformar essa mentalidade que diminui a mulher e tenta aprisioná-la, até ao custo de sua vida”, afirmou.
Ao final da sessão, a CLDF entregou moções de louvor aos integrantes da mesa e a dezenas de profissionais da comunicação. As homenagens reconheceram jornalistas, radialistas, apresentadores, cinegrafistas, editores, produtores, assessores e demais trabalhadores que contribuem diariamente para garantir informação de qualidade à população do Distrito Federal.
A solenidade reafirmou o reconhecimento da Câmara Legislativa ao trabalho da imprensa e à sua contribuição para uma sociedade mais informada, participativa e democrática.
Fotos: Andressa Anholete.

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