China sustenta avanço da carne brasileira

 A China segue como principal mercado da carne bovina brasileira e continua decisiva para o agronegócio nacional. 

Hoje, quase metade da carne bovina importada pelos chineses vem do Brasil, consolidando o país como maior fornecedor externo do gigante asiático. Em 2025, foram cerca de 1,7 milhão de toneladas exportadas. Mesmo com a imposição de cotas e sobretaxas, o setor mantém expectativa positiva diante do aumento da renda, da urbanização e do consumo chinês.

Mercado bilionário

A dependência chinesa da carne brasileira segue elevada porque a produção local não consegue atender toda a demanda interna. A China produz cerca de 8 milhões de toneladas, mas consome mais de 11 milhões. O déficit mantém o Brasil em posição estratégica, mesmo diante das tentativas chinesas de reduzir importações e estimular outras proteínas, como a carne suína.

Desafio é agregar valor

Hoje, a maior parte da carne brasileira consumida na China vai para restaurantes e pratos tradicionais, como o “hot pot”, espécie de fondue chinês muito popular, afirmou, em entrevista à CBN, o repórter Rafael Walendorff que acompanha um grupo de empresários brasileiros que estão na China, buscando ampliação do mercado de carnes. O desafio dos exportadores agora é fortalecer a imagem da carne brasileira junto ao consumidor, ampliar presença em supermercados e vender cortes premium, aumentando faturamento mesmo com limites de volume impostos pela cota chinesa.

Interior da China vira alvo

Os frigoríficos brasileiros passaram a investir na interiorização do consumo chinês, mirando cidades gigantes fora dos grandes centros tradicionais. A estratégia busca ampliar mercado e criar identidade para a carne brasileira, hoje pouco percebida pelo consumidor final. O objetivo é repetir o espaço já ocupado por carnes premium dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

Cota preocupa, mas futuro segue positivo

A sobretaxa de até 55% sobre parte das exportações gera cautela entre exportadores, que aceleram embarques antes do período de incidência maior do imposto. Ainda assim, o setor acredita que a demanda chinesa continuará forte nos próximos anos. A avaliação é de que o crescimento econômico e o aumento do consumo per capita na China devem garantir espaço permanente para a carne bovina brasileira.

Ampliação de mercado

O deputado federal Heitor Schuch (PSB-RS), defensor da abertura de mercados e do fortalecimento das exportações do agro gaúcho, avalia que o Brasil pode ampliar significativamente a presença da carne nacional na China ao avançar também para as redes de supermercados, e não apenas no setor de restaurantes e food service, onde hoje se concentra grande parte do consumo.

Aves e suínos

Em conversa com a coluna Repórter Brasília, o parlamentar lembrou que esteve na China há cerca de três anos e percebeu uma mudança gradual no perfil de consumo. “Eles trabalhavam muito na perspectiva de ampliar o consumo de carne de aves e suínos, mais do que a bovina”, relatou. Agora, segundo ele, a possibilidade de chegar diretamente ao consumidor chinês abre uma nova janela para a proteína brasileira.

Cortes mais selecionados

Schuch acredita que o movimento pode começar por cortes mais selecionados e adaptados ao padrão de consumo local. “Eles trabalham muito com carnes mais magras, com menos gordura do que estamos acostumados aqui”, observou. O deputado destaca ainda que os chineses valorizam partes do gado pouco apreciadas pelo mercado brasileiro, especialmente os cortes dianteiros, o que pode gerar efeito positivo em toda a cadeia pecuária.

“Tudo é grande quando se fala da China. Eles nunca compram pouco. Qualquer abertura representa volumes expressivos e isso pode valorizar o preço do boi no campo”, afirmou. Ao mesmo tempo, Schuch alerta que o avanço das exportações também pode provocar pressão sobre os preços internos da carne bovina, tema que costuma gerar preocupação no mercado doméstico.

Oportunidade para frigoríficos e produtores

Na avaliação do parlamentar gaúcho, trata-se de uma oportunidade estratégica para frigoríficos e produtores brasileiros. “É um mercado que precisa ser tratado com atenção, planejamento e visão de longo prazo. Pode abrir um espaço muito importante para o setor”, disse.

Sobre a competitividade brasileira, Schuch sustenta que a qualidade da carne nacional não fica atrás dos principais concorrentes internacionais. “Nossa carne não perde nada para a europeia”, afirmou.

Custo de produção

O deputado pondera, porém, que o Brasil ainda enfrenta desafios ligados à qualidade das pastagens e ao custo de produção, especialmente na comparação com a Argentina. “Talvez precisemos avançar mais em silagem, manejo e melhoria das pastagens. O campo argentino tem vantagens naturais, mas o Brasil já produz carne de altíssima qualidade”, concluiu.

 Chega de corrupção

Da ex-governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, avaliando o momento em que vive o Brasil: “Que fase! Me faz lembrar 2005. Quando estourou o mensalão, Fernando Gabeira (RJ), Rafael Guerra (MG) e eu criamos o Movimento Pró Congresso: Chega de Corrupção. Assinado por deputados e senadores, Era presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo, que nos deu todo o apoio, e divulgado e acompanhado por todos os veículos de comunicação nacionais. Várias iniciativas legislativas foram aprovadas. Mas infelizmente aprimoraram outros métodos de corrupção, e estamos nessa triste realidade”.

Estrada da Produção

O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) cobra a continuidade das obras de duplicação da BR-386, conhecida como Estrada da Produção. O Parlamentar está preocupado com o atraso no início das intervenções em dois trechos da rodovia, que liga Porto Alegre às regiões norte e noroeste do estado.

Deputado cobra esclarecimentos

Pompeo de Mattos afirma que o pedido da concessionária para adiar o início das obras prejudica o desenvolvimento regional e compromete a segurança dos motoristas. O parlamentar disse que acionou a ANTT para cobrar esclarecimentos sobre o cronograma da duplicação.

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