Ida do primeiro brasileiro ao espaço completa 20 anos e recebe homenagem no Congresso

 A viagem ocorreu no centenário do voo conduzido por Santos Dumont e foi responsável por apresentar a ciência brasileira ao mundo

Há duas décadas, o Brasil entrava para o ilustre grupo de países que enviaram cidadãos ao espaço. Um feito inédito para a América do Sul e para os países lusófonos. A viagem de Marcos Pontes, em 2006, representou o ápice do Programa Espacial Brasileiro, criado na década de 60, em plena corrida espacial, cuja cúpula é formada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), que também está completando 32 anos. O Senado realizou uma sessão especial sobre o tema e homenageou Marcos Pontes.


A ida do primeiro brasileiro ao espaço, chamada de Missão Centenário, ocorreu na data em que se completou 100 anos do primeiro voo de avião, conduzido pelo inventor Santos Dumont. No plenário, nesta segunda-feira (30), Marcos Pontes reforçou a importância do Programa Espacial Brasileiro, relembrou a viagem para fora da Terra e ressaltou sua gestão como ministro da Ciência e Tecnologia. Para o astronauta e senador, o setor espacial no país tem dado um salto nos últimos anos, mas ainda faltam investimentos.


“O Programa Espacial está diferente. Falta prioridade do país olhar para o programa espacial da maneira que deveria olhar. Isso não é só infraestrutura e dinheiro. Mas também a formação dos jovens, dos cientistas. A capacidade de desenvolver aqui no Brasil foguetes, satélites, a capacidade de lançar foguetes. Mas tudo isso já está funcionando aqui. No Senado trabalhamos com a criação da Lei Geral do Espaço, a empresa alada. O programa espacial brasileiro está em um momento maravilhoso e vai decolar. E para ele decolar, falamos dos futuros astronautas”, disse.


Ele destacou que o Brasil é uma potência, e que os feitos das últimas décadas entraram para a história. “Estou muito feliz de estar nesta comemoração dos 32 anos da Agência Espacial, os 20 anos da Missão Centenária. Este dia vai ficar marcado na minha memória. Como eu disse, nossa vida é feita de momentos. Muitas vezes foi difícil segurar as lágrimas. As pessoas falam que eu não demonstra muita emoção, mas eu sinto muito. Como piloto de caça, a gente trabalha de forma lógica, muitas vezes. Temos muitas coisas para fazer, mas não vamos desistir, nós vamos vencer, o país vai vencer e o Programa Espacial vai vencer”, disse. 


A sessão em homenagem a AEB e a viagem do primeiro brasileiro ao espaço ocorreu por meio de um requerimento apresentado pela senadora Damares Alves. A parlamentar destacou que tem orgulho da Agência Espacial Brasileira e que quando foi ministra dos Direitos Humanos, sua agenda se cruzou com a ciência e que ela percebeu que o Brasil é uma potência global neste setor. “Servir com o senador Marcos Pontes é sonhar ir ao espaço. Por alguns momentos as nossas pautas se cruzavam em Alcântara (Centro de Lançamentos no Maranhão), nos programas de mais meninas na ciência, mais mulheres na ciência. Não sei se os senhores sabem da alegria e do tamanho que é essa agência lá fora. Tive a honra de viajar com o senador Marcos Pontes. Viajamos ao Japão e lá tem um museu com o senador Marcos Pontes e que neste museu fala da nossa agência, vocês não tem ideia da alegria e do orgulho”, disse.


Defesa


O presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antonio Chamon, afirmou que desenvolver e manter o programa espacial brasileiro é determinante para evitar tragédias, proteger a soberania nacional e para a economia, já que a produção agropecuária depende da previsão do tempo e outros monitoramentos espaciais. “Somos a 10ª maior economia do mundo. Temos um território de 8 milhões de quilômetros quadrados, acrescido de mais 5,5 milhões de Amazônia Azul e uma população de 200 milhões de pessoas. Um país deste tamanho não conhece a si mesmo, não protege a si mesmo, não se comunica e não se desenvolve social e economicamente sem o espaço. Essa visão do alto, de uma posição privilegiada em órbita, é que nos conta o que acontece no nosso país. Seja o vigor e a prosperidade do agro, seja a dor e a tristeza dos desastres naturais”, destacou.


Chamon lembrou que a viagem de Marcos Pontes ao espaço foi uma maneira de apresentar a ciência brasileira ao mundo. “Celebramos, na data de hoje, o 20º aniversário da missão centenário, que levou ao espaço nosso primeiro astronauta, o senador Marcos Pontes e vários experimentos da comunidade científica brasileira. Demonstrando ao mundo nossa capacidade de fazer ciência e tecnologia de relevância e de alta complexidade. Um programa espacial não se materializa sem a dedicação e o esforço do trabalho das pessoas”, disse. 


Outro vertente importante do Programa Espacial Brasileiro é o lançamento de satélites e o monitoramento espacial, que depende de supercomputadores para o processamento dos dados. Neste quesito, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é o órgão central. Nos anos 60, o instituto já foi considerado um dos maiores do mundo e o Programa Espacial Brasileiro despontava entre os líderes, considerado melhor e mais promissor que os da Índia e da China.


Exposição


Para marcar os 20 anos da ida do primeiro brasileiro ao espaço, Brasília recebe uma exposição especial. A mostra Universo Espacial - a Terra é Azul, está instalada no Brasília Shopping. A exposição reúne objetos históricos, experiências interativas e conteúdos educativos que aproximam o público da ciência e do espaço, especialmente os estudantes da rede pública. 


Os estudantes recebem kits com materiais inspirados no Planetário de Brasília, incentivando o interesse pela ciência. A exposição é uma realização da Agência Espacial Brasileira e do Governo Federal. Até 12 de abril, no local, também há oficinas para crianças. A entrada é gratuita.


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