Por que o Brasil lidera a taxa de depressão na América Latina

Mulheres são as maiores vítimas de violência física e psicológica - Foto: Pedro Ventura/Agência Brasília.


Barreiras e Desafios: A Complexa Realidade do Tratamento da Depressão no País


Nos últimos anos, o Brasil enfrenta um aumento alarmante nos casos de depressão, tornando-se o país com a maior prevalência desta doença na América Latina, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados apontam que 5,8% da população brasileira, equivalente a 11,7 milhões de pessoas, sofrem de depressão. A situação se torna ainda mais crítica quando consideramos que o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos na América, onde 5,9% da população é afetada por transtornos de depressão.

Uma série de fatores contribui para essa alta incidência de depressão no Brasil. Especialistas apontam para a dificuldade de acesso a tratamentos de qualidade na rede pública de saúde, o forte estigma social relacionado a transtornos mentais e a falta de protocolos de atendimento específicos para a depressão como principais causas.

Além disso, a desigualdade socioeconômica no Brasil desempenha um papel fundamental, já que a carga tributária elevada e a baixa remuneração média obrigam a população a trabalhar mais para obter serviços básicos, sobrecarregando a saúde mental e desencadeando transtornos como a depressão.

Outro fator que contribui para a alta taxa de depressão é a falta de profissionais e tratamento especializado na rede pública de saúde. Levantamentos mostram que o Brasil tem apenas 19 psicólogos para cada 100 mil habitantes no Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto em alguns países europeus esse número chega a ser superior a 40. Isso resulta em diagnósticos tardios e tratamentos inadequados.

As mulheres estão mais vulneráveis à depressão, apresentando duas vezes mais chances de serem diagnosticadas do que os homens. Isso se deve a fatores biológicos, como níveis mais baixos de testosterona, e à maior vulnerabilidade social e psicológica, devido às múltiplas obrigações e responsabilidades que muitas vezes recaem sobre elas.

O preconceito também é um obstáculo significativo, uma vez que muitos ainda veem a depressão como "frescura" ou sinal de fraqueza, o que leva a diagnósticos tardios e doenças crônicas.

Para combater esse problema, a Associação Brasileira de Psiquiatria lançou uma campanha contra a psicofobia, o preconceito contra pessoas com doenças mentais, desde 2014.

A falta de um protocolo de atendimento eficaz na rede pública de saúde também é um grande desafio a ser superado. Especialistas destacam a necessidade de um investimento significativo do governo na rede de tratamento de transtornos mentais.

O Ministério da Saúde anunciou medidas para aumentar o atendimento em saúde mental, como investimento de mais de R$ 200 milhões em 2023 na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com a expectativa de crescimento anual superior a 5% nos próximos quatro anos.

No entanto, apesar desses esforços, é fundamental combater o estigma em relação à saúde mental e investir em tratamentos de qualidade para que o Brasil possa enfrentar sua crescente crise de depressão.

Para saber mais sobre essa questão, confira o artigo completo da BBC Brasil: Leia o artigo completo aqui.

Com informações da BBC Brasil

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