Se você checa o Whatsapp enquanto assiste filme com seus pequenos, aparta-os da rotina da casa (como arrumação das camas e limpeza do quintal) porque acredita não ser coisa de criança, ou assiste TV enquanto almoça com a família, saiba que está perdendo a brincadeira mais importante da tarefa parental: dedicar tempo de qualidade, que faz desenvolver seres humanos amados, felizes, saudáveis – e, em última instância, uma sociedade mais sadia.  

A presença com qualidade e a importância dos pais brincarem com os filhos, inclusive dentro da rotina doméstica - pois, com criatividade, as tarefas do dia a dia podem ser uma fonte de brincadeira e aprendizagem – foram o foco dos debates no primeiro dia do Fórum Family Talks, “Cuidar das pessoas, investir no futuro”, que vai até esta quinta-feira (26), em videoconferência via Sympla Streaming.   

“Toda criança precisa saber que nasceu de laço de amor e de uma decisão de amor. Essa é a primeira base da estrutura da personalidade de um ser humano. Então, organize uma rotina e um tempo para estar com seus filhos porque ele vai ocupar esse tempo e é o tempo mais precioso que ele vai ter na vida”, afirmou a médica e pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria, Luci Pfeiffer, durante a abertura dos debates no primeiro dia do Fórum Family Talks.

Com a moderação do especialista em Políticas Públicas para a Família pela Universidade Internacional da Catalunha e fundador e diretor-executivo do Family Talks, Rodolfo Canônico, o primeiro dia de evento debateu o tema “Experiência com os filhos e a importância ao cuidar”, contando também com a participação da fundadora do Tempojunto e colunista da Revista Crescer, Patrícia Marinho, e do ator e pai de quatro filhos Juliano Cazarré.

Debates – A dinâmica do evento se estruturou a partir da provocação do diretor-executivo do Family Talks sobre o tema em questão, que trouxe pontos essenciais para os comentários e orientações dos especialistas. Um dos assuntos em pauta foi a importância da rotina para a organização da vida dos pais.

Sobre esse tópico, Cazarré relatou que, quando o primeiro filho chegou, ele e a esposa demoraram a entender a necessidade da adoção de uma rotina, mas, quando perceberam, tudo mudou. “A rotina é muito importante para um lar e ela precisa de decisão e de fortaleza. Os momentos de afeto em família são aqueles que nós mais vamos lembrar. Essas são as coisas mais importantes e que vão ficar com a gente”, afirmou o ator.

Dentro dessa perspectiva, outro ponto importante que precisa estar no radar dos pais é o papel do brincar na construção da rotina e os benefícios que ele oferece para as crianças. Segundo Patrícia Marinho, a brincadeira é uma ferramenta para tudo, inclusive, para a construção de uma rotina. “Desde que a criança nasce, ela está pronta para explorar o mundo e a forma que ela tem para explorar o mundo é por meio da brincadeira. Quando a criança brinca, ela está exercitando toda a sua potencialidade”, explica.

Marinho também reforça que é possível inserir o brincar nas atividades cotidianas, tornando a rotina mais leve e agradável para a família.

“Você pode sempre fazer uma brincadeira mais calma antes de dormir, algo que envolva concentração, como montar peças. Pode inserir na rotina um hábito que é muito importante para a criança, que é ler para dormir. Então, você pode usar tanto a brincadeira como fator para a rotina acontecer quanto durante a própria rotina. Essa relação afetuosa de respeito que você estabelece com a brincadeira torna a rotina mais fácil e mais presente. Se você se permite fazer isso, sua casa vira o melhor lugar do mundo”, afirma.

Tempo: quantidade x qualidade – Estar com seu filho pensando no trabalho, respondendo mensagens e e-mails, assistindo ao jornal ou falando ao celular, pode até fazer com que os pais se sintam melhores diante da falta de tempo de estar com seus filhos, mas é preciso entender que as crianças precisam de muito mais. Isso sem falar nas consequências que isso pode acarretar na percepção dos pequenos que, muitas vezes, não são compreendidos pelos pais, o que causa um sentimento de tristeza e solidão. 

Para intensificar a discussão, o diretor-executivo do Family Talks, Rodolfo Canônico, alertou os participantes sobre a pobreza do tempo em família e questionou os especialistas sobre a importância de investir um tempo de qualidade para estar com as pessoas que se ama.

Juliano Cazarré compartilhou com os participantes o que faz para driblar os obstáculos que aparecem nos momentos em que essa disponibilidade acaba diminuindo por causa do trabalho. “Se você tem pouco tempo, aproveite o tempo que você dispõe com qualidade. A criança está vendo isso. Ela está vendo que você está ali se doando para ela, mesmo que seja naquele momento mais difícil. A gente tem que ter essa clareza de largar o celular e arrumar mais tempo para eles”, reforça.  “A criança precisa ter não apenas um lugar na casa, mas na vida de pai e mãe. Até 5 a 7 anos, todo ser humano constrói a sua estrutura de personalidade”, afirmou Luci Pfeiffer.

E o que fazer para tornar a rotina diária mais agradável? Patrícia Marinho explica que muitos pais têm a tendência de colocar o tempo da criança diferente do tempo da casa. Mas, quando você traz a criança para a atividade da casa, você descobre um tempo novo que você não estava encarando e coloca a brincadeira na sua forma de interagir com a criança. “É o que nós chamamos de atitude brincante, que é quando você aproveita o espírito da brincadeira nas atividades do dia a dia”, esclarece.

Uso de telas na rotina – Em tempos cada vez mais conectados, encontrar um limite para o uso de telas pelos filhos se tornou um dos principais desafios para os pais. Para Luci Pfeiffer, que também integra o Grupo de Trabalho sobre Saúde na Era Digital da SBP, esse mundo virtual tem que ser orientado e supervisionado. O ideal é que esse uso só comece a partir de dois anos.

“Se não tiver excessos e o uso for supervisionado pelo adulto, é possível ter benefícios e esse uso ser melhor aproveitado”, disse a pediatra. Para Patrícia Marinho, a tela é um componente da vida, mas ela não substitui a vida. “Não adianta terceirizar a criação do seu filho por meio de uma tela. Faça um filtro e se preocupe com os bloqueios de tempo. Traga a criança do ambiente da tela para o mundo real”, completa. Já Cazarré acredita que a família é a maior fonte de diversidade que a sociedade pode ter. “Família forte, sociedade forte. Família feliz, sociedade feliz”, resumiu.

Programação – Nesta quarta-feira (25), o segundo painel do evento debaterá a importância do equilíbrio trabalho-família – especialmente a premência, em nosso mercado de trabalho, de que as empresas criem e facilitem programas e políticas de apoio às famílias para as suas tarefas de cuidado. Os convidados serão a country manager da Philips no Brasil, Patricia Frossard, a fundadora do Flux Institute e colunista da Revista Forbes, Flávia Camanho, e o diretor-geral do ISE Business School, José Paulo Carelli. 

Na quinta-feira (26), último dia do evento, o tópico será a necessidade de apoio público para o cuidado, cujas premissas são o aumento da expectativa de vida da população e os novos arranjos familiares, que ampliam a demanda por cuidadores e desafiam a gestão pública. Participam do painel o cofundador e diretor-presidente do Grupo Tellus, Germano Guimarães, o professor da USP e fundador do  Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), Marcos Kisil, e o diretor pedagógico do Centro Educacional Assistencial Profissionalizante (CEAP), Paulo Neiva.

Para participar do evento, é preciso se inscrever em forum.familytalks.org e obter gratuitamente o ingresso na plataforma Sympla. Também é necessário ter o Zoom instalado. Saiba mais sobre o acesso ao evento clicando aqui.

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Redação

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