Em processo de restauração, material vai compor uma mostra permanente no espaço da Praça dos Três Poderes dedicado ao arquiteto

Maquete elaborada em 1983 para o Pavilhão de Exposições de Brasília | Foto: Divulgação/Secec

Duas maquetes de obras de Oscar Niemeyer que nunca saíram do projeto – a Embaixada do Brasil em Havana, Cuba (1987) e o Pavilhão de Exposições de Brasília (1983) – ganham retoques finais para compor uma exibição permanente de peças sobre o trabalho do arquiteto que concebeu os primeiros traços da capital federal. O material está sendo organizado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).

Oscar Niemeyer (à direita) com Gilberto Antunes: 40 anos de trabalhos em conjunto | Foto: Acervo pessoal

Ainda sem data definida, a mostra será instalada no Espaço Oscar Niemeyer (EON), localizado na Praça dos Três Poderes, prédio concluído em 1988 a partir do traço do próprio autor. As miniaturas, feitas de papel cartão e acrílico pintados, em escalas de 1/250 (Pavilhão) e 1/200 (Embaixada), são do maquetista Gilberto Antunes, que trabalhou durante 40 anos com Niemeyer.

“A recuperação dessas peças atesta uma vez mais que o trabalho da secretaria, pelo empenho de seus servidores, não parou durante a pandemia”, valoriza o titular da Secec, Bartolomeu Rodrigues. “Não pudemos comemorar como merecia a data dos 60 anos de Brasília, mas fizemos coisas importantes que reforçam nosso compromisso com o patrimônio material e imaterial da capital e que virão à luz assim que for possível e seguro.”

Conservação e restauro

O processo de conservação e restauro das maquetes é executado pela Diretoria de Preservação (Dipres), da Subsecretaria do Patrimônio Cultural (Supac), a partir de iniciativa da Gerência de Conservação e Restauro (GCR), em parceria com a Gerência de Acervos.

A analista de atividades culturais em conservação e restauro da Secec, Carla Mabel Santos Paula, aponta que, até o momento, as maquetes passaram pelo processo de higienização, com aplicação de técnicas de limpeza mecânica e de limpeza química das superfícies.

Para conclusão das intervenções nas duas maquetes, a equipe da Supac aguarda a aquisição dos materiais necessários. Um dos maiores desafios do trabalho de restauro é recuperar o caráter de documento da obra de Niemeyer. Isso exige o diálogo permanente da Dipres com Gilberto Antunes em seu ateliê no Rio de Janeiro (RJ).

Fonte de pesquisa

“Essa comunicação é extremamente rica para a preservação das obras, haja vista que o profissional conservador-restaurador pode ter acesso à fonte primária de pesquisa, para compreender as nuances de sua produção, além de trocar conhecimentos e estabelecer parcerias que vão agregar valor às intervenções de conservação e restauro que, inclusive, podem ser legitimadas e autenticadas pelo próprio autor, se for o caso”, esclarece a gerente de Conservação e Restauro da Secec, Mariah Boelsums.

“O processo começava com conversas sobre o conceito arquitetônico e os croquis, mas depois disso eu fazia a maquete uma, duas, três ou mais vezes, até Oscar [Niemeyer] ficar satisfeito com a materialização da ideia”, conta Gilberto Antunes, em entrevista à Secec.

Gilberto está construindo 27 maquetes que serão objeto de exposição itinerante pela Europa em 2022. Cinco vídeos que registraram as quatro décadas de convivência da dupla vão dar origem ao documentário integrante da mostra. “Temos muito trabalho este ano”, comemora Antunes, indissociável da obra de Niemeyer.

Preservação

Os processos de conservação e restauro são consequência de profunda pesquisa inter e transdisciplinar, o que demanda tempo e dedicação dos profissionais envolvidos.

“O trabalho dos restauradores envolve, entre outros aspectos, a pesquisa histórica, o levantamento dos aspectos materiais das obras e a discussão sobre os procedimentos mais adequados para as intervenções de restauro”, explica analista de artes plásticas Maria de Fátima Medeiros de Souza, da GCR.
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Hellen Quida

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